Tudo o que faz de “Anne With an E” uma série tão especial

Tudo o que faz de “Anne With an E” uma série tão especial

Simplicidade, pureza, poesia, humanismo, amadurecimento, romantismo, laços e gratidão pela vida são os fatores que compõem a vida e trajetória de Anne Shirley Cuthbert e são estes fatores que tornam o seriado canadense “Anne With an E” tão belo e cativante.

 
 

“Anne With na E” é um seriado canadense produzido pela emissora CBC e distribuído mundialmente pela Netflix. A produção é uma adaptação do romance infanto-juvenil “Anne of Green Gables”, escrito por Lucy Maud Montgomery e publicado em 1908.

 

O romance narra a história e as aventuras de uma pré-adolescente órfã chamada Anne que é adotada por engano por dois irmãos solteiros, Matthew e Marilla, que esperavam na realidade um menino para ajudá-los nas tarefas da fazenda Green Gables, localizada na comunidade fictícia de Avonlea, na ilha de Príncipe Eduardo. Matthew é quem a vê primeiro no terminal de trem, esperando por sua nova família, e assim que a vê, decide levá-la para casa afim de encontrar uma solução pacífica para aquele inesperado engano. Enquanto a leva em sua carroça, ele já nota que a menina, além de muito esperta e inteligente, possui uma imaginação imperativa e extremamente fértil, o que a faz externar tudo o que imagina de forma muito acelerada, transformando a realidade em fantasia e qualquer defeito em beleza. Sim. Anne é tagalela, mas Matthew não se importa com isso. Quando Anne finalmente chega à fazenda, é recepcionada por Marilla de uma forma nada positiva, apresentando o extremo oposto da recepção de seu irmão, afirmando ser um engano a chegada da órfã e que no lugar dela, deveria vir um menino.

Anne, que havia apreciado a viagem com entusiasmo e cultivando a alegria de que finalmente teria um lar, cai no chão de joelhos ao ver que não seria aceita e assim, na condição de ficar na fazenda por apenas alguns dias, decidiu que faria o que fosse possível para ser aceita pelo casal de irmãos solteirões. Anne conquista Matthew e Marilla com suas características mais autênticas e peculiares. Anne, tanto no romance de 1908, como no seriado de 2017, é descrita como uma menina esperta, dramática, romântica, tagarela e com muita imaginação. Além de muito amorosa, ela se entrega de corpo e alma a seus sentimentos, demonstrando-os de forma muito transparente seu afeto pelas pessoas e sua presença acaba tornando a vida monótona dos dois irmãos, uma vida de cor, de surpresas, de alegrias e de muita poesia.

 
 
 

Apesar de Anne cultivar em si uma personalidade autêntica, pura e de gratidão por cada dia de sua vida, ela também possui um histórico de vida incomum e de muita dor e sofrimento. Ela já foi humilhada pelas colegas no orfanato, presenciou cenas de violência doméstica e na maior parte das vezes, teve de recorrer aos livros para encontrar um refúgio do cruel mundo exterior que a rodeava. Ainda assim, com um passado de sofrimentos prematuros e inadequados para seu desenvolvimento pessoal, Anne é uma menina doce e provida de um poder admirável de tornar tudo a sua volta belo e poético, aliás, poesia é o que ela faz involuntariamente quase todo o tempo. E assim é Anne Shirley Cuthbert; quando não há nenhuma circunstancia adversa que lhe deixa profundamente triste, principalmente com as pessoas que ama, ela está feliz, sorridente e declamando poesia com sua fértil imaginação.

Só com estas descrições, podemos fazer de Anne um exemplo de força, gratidão, perseverança e felicidade genuína, por viver simplesmente o “agora” de forma intensa, apreciando a dádiva da vida todos os dias e vivenciando cada momento, seja de alegria ou tristeza, como uma trilha que leva ao crescimento pessoal e espiritual como ser humano. Talvez, nestes dias de imensas turbulências, possamos despertar em nós a nossa Anne. A Anne da gratidão, da inocência e da capacidade de aceitar a própria realidade e de ser feliz com ela, vencendo todos os problemas que nos cercam, transformando cada dia que nasce uma nova chance de ser feliz. 

E até este parágrafo, o propósito de se apresentar o diferencial que torna a série e obra “Anne With an E” tão especial já seria o suficiente, mas existem muitos outros fatores que tornam esta maravilhosa produção de Moira Walley-Beckett tão querida e amada por fãs do mundo inteiro e vale muito a pena discorrer sobre cada uma destas particularidades. O que torna triste a realidade da série existir é o fato de ter sido cancelada após a terceira temporada, justamente quando se há ainda tantas aventuras para serem contadas. Mas, ainda assim, as três temporadas existentes são uma dádiva que devem ser apreciadas sempre como um sinônimo de pureza humana e a usaremos para expor os temas sociais que cativaram o público e o fizeram amar “Anne”. 

Vamos juntos?

 
 
 
 

Amor: amizade, família, aceitação

Sim. O amor é o tema central de “Anne With an E”, e o melhor disso é que todas as formas de amor tem seu lugar no enredo da série. O amor é tratado na obra como sinônimo de aceitação e também de perdão. Quando Anne é apresentada a Marilla por Matthew, o cenário que vemos é de total decepção, pelo fato de a irmã não aceitá-la como membro da família simplesmente por não ser um menino e nos dias seguintes, quando Anne passa pelo teste de aptidão afim de se tornar uma Cuthbert, ocorre um mal entendido que acaba resultando a volta da órfã para o orfanato. Aos que já assistiram, sabem do que se trata; aos que ainda não, pouparemos spoilers. Isso acaba partindo o coração de Anne, que já estando longe de Green Gables, Marilla descobre que o caso não passava mesmo de um mal entendido. E assim, Matthew parte em busca de Anne e de seu perdão. E Marilla, custa a se desculpar, mas logo, também pede perdão e Anne concede, demonstrando seu sofrimento por ter se separado de sua nova família por um curto espaço de tempo. Vemos aqui, um amor familiar nascer e no casal de irmãos, o amor maternal e paternal.

 
 

O amor se manifesta muito através do perdão, tanto de quem pede como de quem perdoa. Vemos outra manifestação genuína de amor na amizade que nasce entre Anne e Diana Barry, que se conhecem em um evento comunitário e que ficam cada vez mais juntas quando passam a frequentar a escola. Diana é a única amiga de Anne que mora perto de Green Gables, permitindo que as duas vivam e brinquem juntas intensamente e permitindo inclusive que Anne salve sua irmã de uma crise respiratória em plena madrugada, usando as técnicas que aprendeu quando era babá de outra família. Anne e Dianna admiram-se uma a outra pelas suas qualidades mais notáveis. Enquanto Dianna admira Anne pela sua inteligência e imaginação, Anne a admira por sua beleza. Isso se dá pelo fato não de Anne ser feia, embora ela acredite cegamente nesta hipótese, mas sim, de ser diferente e de possuir uma beleza peculiar fora dos padrões estabelecidos para a época. Padrões estes que discutiremos adiante. Apesar de tudo, elas se completam. É uma amizade bela e verdadeira. 

 
 
 

Padrões Sociais: preconceito, racismo, homofobia, feminismo

Os padrões sociais são muito discutidos no enredo da série. E são escancaradamente expostos nas cenas mais provocadoras.

Quando Anne começa a frequentar a escola, se depara com um ambiente estranho que a faz interpretar como hostil e ameaçador. Para sua sorte, Diana consegue tornar tudo mais leve, mas os problemas referentes à aceitação social, machismo, homofobia e opressão estariam só começando.

Anne, por ser muito autêntica e transparente, acaba não se encaixando nos padrões comportamentais estabelecidos em sua comunidade e em sua época. Ao narrar para as meninas tudo o que já presenciou de deplorável quando era órfã, foi discriminada pelas colegas, tendo apenas Diana para se apoiar. E pelo fato de Anne ficar conhecida como uma “órfã protegida”, muitas críticas, maus olhares e julgamentos a cercavam, colocando até mesmo a amizade com Diana, que pertencia a uma família absolutamente tradicional, em risco. Mas Anne, com o tempo, consegue sobressair suas qualidades, despertando a admiração das pessoas ao seu redor e das colegas, mesmo não correspondendo muito ao comportamento cotidiano da época, ela não deixava de ser ela mesma e de se aceitar, exceto sua aparência e seu cabelo.

Ao conhecer o garoto mais popular da classe e o mais atraente dentre as meninas, Gilbert Blythe, Anne tenta se afastar dele o máximo que pode, mas ela só consegue este feito fisicamente, pois mentalmente, Anne já não conseguia mais tirá-lo de seus pensamentos. Sua queda (crush) é descrito na obra como um rapaz bonito, esperto e ótimo aluno, tornando-se um rival intelectual da ruivinha nas atividades escolares e o favorito do professor Phillips, que mantinha um romance secreto com a aluna Prissy Andrews. Como se não bastasse, Gilbert também é a paixão de Ruby Gillis, uma amiga mais nova de Anne.

 
 
 

E mesmo com todos os padrões de beleza estabelecidos na época, Gilbert se apaixona por Anne principalmente por sua personalidade e autenticidade. Ao contrário de muitos outros garotos da escola, Gilbert é provido de uma maturidade muito além da sua idade e logo acaba se tornando bem mais responsável e respeitoso após a morte de seu pai, ficando órfão, como Anne.

Desamparado com a orfandade, Gilbert decide conhecer o mundo trabalhando em navios comerciais e na viagem, conhece Sebastian, um homem negro, porém livre, que se torna seu grande amigo e que é trazido para Avonlea para morar e trabalhar com ele na fazenda.

Gilbert fica abismado e surpreso pela forma como as pessoas tratam Sebastian, julgando-o pela cor da pele, demonstrando assim estar muito a frente de seu tempo.

 

A série ainda traz o caso emblemático de Cole, um amigo de Anne que além de ser artista, criando desenhos e esculturas, se descobre homossexual, e isso era um grande problema e tabu na época. A segunda temporada explora muito o fator do racismo e da homofobia. No caso de Cole, tudo isso é retratado da forma mais dolorosa possível, nos colocando no lugar de quem sofre da “não aceitação” de sua sexualidade todos os dias. E Anne aprende que o amor pode se manifestar de muitas formas, ao descobrir o segredo “socialmente condenável” de seu amigo.

O ódio do professor Phillips para com o garoto partia de uma tendência homossexual reprimida, vejam só. Um roteiro bem direto para os praticantes da homofobia.

 
 
 

Já o feminismo é retratado com maestria através da sucessora de Senhor Phillips, que após ser deixado por Prissy no altar, não tornou mais a Avonlea, cedendo o cargo para Miss Stacy, a nova professora, que além de solteirona, apresentava comportamentos bem incomuns na comunidade e com uma metodologia nada ortodoxa e muito, mais muito socioconstrutivista, não demorou nada para conquistar a admiração dos alunos e as críticas mais perversas dos pais e até do Grupo de Mães Progressistas, que demonstraram na segunda temporada, serem tão conservadoras quanto a própria comunidade.

Miss Stacy não sofre apenas o preconceito de ser uma jovem bonita e solteirona, mas também de ser muito a frente de seu tempo, usando calças em pleno século XIX e aceitando carona de senhores casados até o trabalho. E onde há pouca gente, os boatos são numerosos. Após vários incidentes desagradáveis por parte de alunos rebeldes e oprimidos; algo que se manifestou pela influência libertária da nova tutora, Stacy estava prestes e perder o cargo e ser proibida de lecionar. A sorte é que Anne fundou a Liga da Justiça e colocou suas ideias em prática. O feminismo também é exposto no preconceito que Marilla sofre da própria amiga por nunca ter se casado e por isso ser taxada como uma mulher incompleta. As perspectivas de vida eram bem limitadas para as mulheres.  

 
 

Todos estes temas são muito bem trabalhados pelos roteiristas da série, expondo a dor de muitos que sofrem com o preconceito. Um dos ingredientes cativantes de Moira foi tornar “Anne” uma terapia para aqueles que compartilham da dor de Sebastian e Cole e da luta incansável de Miss Stacy por igualdade de gênero.   

 

Identidade: Anne ou Princesa Cordelia

Anne não se acha bonita e detesta seu cabelo ruivo, e em um episódio da série, ela acaba destruindo seus cabelos ao tentar mudar sua aparência a todo custo. Quando viu que o estrago estava feito, tudo o que ela desejava era seus cabelos ruivos de volta. Mas nem esta perturbadora experiência fez com que Anne aceitasse por completo sua aparência e seus cabelos de fogo, afinal, ela continuava diferente e fora dos padrões estéticos e comportamentais da sua comunidade e época. Mas não era isso o que mais lhe causava a dor do vazio, e sim, o fato de não ela não saber de suas origens. E então, mergulhada em uma crise existencial, toma uma decisão ousada e desafiadora: a de buscar suas raízes através de seus pais biológicos. E a terceira temporada tem como núcleo a jornada de Anne por sua real essência e história. A busca por suas origens a levam de volta para a tormenta no cenário mais traumatizante de sua vida: o orfanato. E é claro que lá, ela vivencia um Dejavú doloroso, mas necessário para seu autoconhecimento. E sim. Isso é comum. Quando qualquer ser humano mergulha nas profundezas de seu interior e de sua história afim de descobrir quem se é de fato, vivencia horrores já vividos e traumas (monstros interiores) são novamente despertos. É por isso que muitas pessoas permanecem sem saber quem são de verdade. A maioria tem grande pavor do que podem encontrar nesta jornada sem volta.

 
 
 

E Anne finalmente descobre seu verdadeiro “eu”. É escocesa, seus pais biológicos eram professores e sua aparência foi herdada de sua mãe. E num passe de mágica, suas sardas, seu cabelo ruivo, sua beleza peculiar, tudo isso ganha significado e sentido, fazendo Anne alcançar o prazer da autoaceitação e a dádiva da autoestima. Todas as suas características morais, comportamentais e estéticas são elementos hereditários da história de sua família. Desde seu amor pela literatura e poesia até seu talento para a escrita e sua imaginação fértil.  

 

O apoio que Matthew e Marilla dão a Anne nesta jornada comprova mais uma vez o amor incondicional pela filha adotiva e o fortalecimento de seus laços como família.

Esta passagem é uma lição e tanto sobre aceitação e busca de si mesmo e sobre como as pessoas podem nos amar pelo que somos. Em nenhum momento de sua vida, Diana deixou de ser sua amiga e nem Gilbert deixou de admirá-la. Aliás, o romance entre Anne e Gilbert se torna bem mais nítido no decorrer da terceira temporada. Se a admiração já era evidente entre os dois através da amizade, é na maturidade e no auge da adolescência e puberdade que a química vem à tona. E que casal mais perfeito. A sintonia e compatibilidade de inúmeros sentimentos positivos de afetividade avança fases cada vez maiores a cada episódio, tornando impossível o público não amar a união do garoto mais popular com a ruivinha mais doce e profunda do romance. 

É lindo e encantador.

 
 
 

Liberdade de Expressão e de Imprensa: assédio sexual e consentimento

“Anne With an E” consegue ser atemporal ao abordar três importantes temas da nossa atualidade: o assédio sexual, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

Todas estas três temáticas são mescladas em um roteiro enriquecedor que narra Josie, uma colega de Anne, que ao ser abusada por um garoto, roubando-lhe um beijo, acaba causando um cenário de extremo constrangimento... para ela. Sim. A culpa do assédio recai sobre a vítima e é claro que Anne se revolta com este desfecho. Revoltada, ela escreve um artigo para a Gazeta de Avonlea sobre os direitos das mulheres e isso acaba criando uma enorme revolta nos homens brancos que governam Avonlea. A retaliação chega ao extremo de queimarem a escola onde o jornal é escrito e isso resulta em um protesto por parte dos alunos contra a censura e a mordaça. É claro que não poderia faltar um toque de revolução nas desventuras da ruivinha. A união para amparar Josie se torna na prática os primeiros capítulos do movimento feminista e do engajamento da juventude em pautas políticas.

 

Já o personagem Sebastian (Bash), continuará enfrentando o legado do racismo na sociedade ocidental e, mesmo em uma época em que a escravidão já estava abolida na América, o racismo ainda persiste com força no século XIX, impondo a proibição de negros de viajarem em trens, de terem empregos dignos e de serem aceitos em locais públicos. Mesmo com todas estas condições adversas, Bash descobre o amor, evolui e se torna um exemplo de perseverança, caráter e luta, tendo sempre Gilbert como seu porto seguro.

 

E pra completar a perfeição da série, temos a inserção de Ka’kwet, uma membro da tribo Mi'kmaq, como mais uma pauta de inclusão e de aceitação das diferenças. Esta narrativa não faz parte da obra original de Montgomery, mas é muito bem-vinda e aceita pelo público, que tendo aprendido a amar Anne e todos os outros personagens, aprenderam a amar Ka’kwet, uma indígena que se torna amiga de Anne, principalmente por compartilhar da visão doce e inocente do mundo em que vivem, mesmo nele havendo tanta desigualdade e crueldade.

O enredo de Ka’kwet é envolvente e ao mesmo tempo, triste. A série explora com maestria a exclusão que os Ka’kwet sofreram em uma época triste da história do Canadá, quando minorias e tribos indígenas foram duramente perseguidos, tendo sido várias crianças tiradas a força de seus pais e em muitos casos, terem havido registros de genocídio destas tribos. A série reforça a memória de muitas vidas inocentes e busca relembrar e sensibilizar toda a crueldade cometida naquela época através de Ka'kwet.

A amizade crescente entre Anne e Ka’kwet é repleta de provações, de julgamentos e também de lealdade. Anne é ao mesmo tempo conflitante com as pautas sociais e acolhedora com sentimentos nobres como o amor e a amizade, transmitindo positividade através da linguagem universal que todos entendem: o sorriso.

 

Anne é sobre muitas coisas: amizade, amor, aceitação, identidade, romantismo, respeito, igualdade, família, poesia, literatura, imprensa, política, sociedade.

 
 

São muitas as temáticas que fazem de “Anne With an E” uma série tão maravilhosa e junto a todos estes elementos puramente humanos, que enriquecem o enredo, temos cenários exuberantes e atuações impecáveis e tudo isso torna a série, além de bela, envolvente e cativante. Amybeth McNulty é eleita com facilidade a melhor Anne Shirley e todo o elenco merece prêmios por seus trabalhos frente às câmeras. A equipe de figurino e a trilha sonora também merecem nossa admiração, mostrando o quanto de esforço e trabalho sério é necessário para se produzir uma série ou filme.

 

E diante de toda essa maravilha, fica a pergunta: Por que “Anne” foi cancelada?

Segundo uma nota conjunta emitida pela “Canadian Broadcast Company” (CBC) e Netflix, a produção de “Anne With an E” foi realizada com enorme prestígio. Lê-se: “Estamos empolgados em trazer a história essencialmente canadense de Anne para os telespectadores de todo o mundo. Agradecemos aos produtores Moira Walley-Beckett e Miranda de Pencier, ao elenco e à equipe talentosa por seu incrível trabalho de compartilhar a história de Anne com uma nova geração. Esperamos que os fãs do programa amem esta temporada final tanto quanto nós, e que isso traga uma conclusão satisfatória à jornada de Anne ". E mesmo com hashtags alçando um nível global, como #CBCRenewAnne ou #NetflixRenewAnne, impulsionadas por fãs e até artistas influentes como Ryan Reynolds e Sam Smith, não houve sinal algum de retorno da série. E alguns dos motivos alegados foram:

- Mercado: No começo, parecia que o show foi cancelado porque não havia encontrado uma audiência grande o suficiente. Depois que os fãs se manifestaram contra o cancelamento, os produtores do programa divulgaram suas próprias declarações: "Por favor, saibam que brigamos", disse a criadora Moira Walley-Beckett no Instagram. "Tentamos fazer mudarem de ideia. Tentamos encontrar um novo lar. Tentamos um filme final ... Tentamos o nosso melhor [...] Arte e Comércio nunca é um casamento fácil. Costumo achar isso inexplicável. Isso é um desses momentos. Mas é impossível argumentar com palavras como Economia, Algoritmos, Demografia etc. etc. Mas essas palavras e outras do tipo são a razão pela qual as Redes não querem continuar." 

A produtora Miranda de Pencier ecoou esses sentimentos em seu próprio post no Instagram, agradecendo aos fãs, mas assegurando que a série havia terminado. Assim, nenhuma outra rede queria investir em “Anne With an E”.

E os motivos alegados foram:

- Rompimento: Em outubro de 2019, a CBC cortou totalmente os laços com a Netflix. Catherine Tait, CEO da CBC, disse em um episódio do podcast Content Canada que achava que a produção de programas para o serviço de streaming estava prejudicando a indústria cinematográfica doméstica no Canadá (via CinemaBlend). Conforme relatado pelo Huffington Post Canada, ela chegou ao ponto de comparar a Netflix ao imperialismo e  Império Britânico em outra ocasião.

Infelizmente, isto ocorreu exatamente no momento em que Anne teve sua terceira temporada lançada na plataforma da Netflix. E, talvez a verdadeira razão pela qual o programa tenha sido cancelado não tenha nada a ver com dados demográficos, classificações ou orçamento. Talvez tenha se perdido no embaralhamento e a série tenha sido uma vítima de rompimento. A Netflix também restringe contratualmente os programas de buscar novas redes imediatamente após o cancelamento, de acordo com o prazo estipulado. Isso também aconteceu, por exemplo, com Matt Murdock, que não se juntou imediatamente aos Vingadores ou apareceu com seus colegas heróis da Marvel na Disney +. 

Embora os produtores tenham se despedido, no entanto, sempre há uma chance de que Anne possa ser revivida ou trazida de volta no futuro. Talvez a CBC a traga de volta em sua própria rede. Talvez um filme aconteça. Afinal, ainda há muito material para adaptar, já que os livros de Lucy Maud Montgomery seguem Anne Shirley até a idade adulta. 

São seis livros que acompanham Anne Shirley até aos 40 anos de idade e outros três romances avulsos que retratam Anne  dos 40 aos 75 anos de idade. Haja história!

Mas, se você que é fã da ruivinha e deseja muito saber o desfecho amoroso entre Anne e Gilbert, suas próximas e numerosas aventuras, suas novas amizades, estudos, casamento, enfim... existem opções de continuar esta viagem. Confira as muitas produções anteriores que narram a trajetória de Anne e, para quem aprecia uma leitura, os livros estão à venda na internet.

 

Anne Of Green Gables - Gazebo TV (1985)

É possível achar a coleção completa através do site oficial da Gazebo TV e em

anneofgreengables.com/

Anne Of Green Gables | PBS

Disponível em: https://www.pbs.org/show/anne-green-gables/

Anne de Green Gables - Filme de 2016 (YTV)

Anne de Green Gables - Sullivan Entertainment

Anne também é um Anime

Akage No Anne (Anne dos Cabelos Ruivos) em português, é uma série de anime japonesa produzida em 1979 pelas emissoras Fuji Television, Animax e Fuji Network System, sob a direção de Isao Takahata, que também dirigiu produções de destaque como “O Conto da Princesa Kaguya” (2013) e “O Túmulo dos Vagalumes” (1988). A série está disponível no Youtube com áudio original e legendas em inglês para quem quiser assistir.

 

VÍDEOS DE FÃS

 

 

 

  Redação: Ramon Ribeiro

  Professor de Língua Portuguesa, Redator, Escritor e Bloqueiro

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