Jurassic World mostra para onde a humanidade está caminhando

Jurassic World mostra para onde a humanidade está caminhando
Remake do clássico marcante de Steven Spielberg “Jurassic Park”, a franquia Jurassic World foi lançada em 2015 com temáticas polêmicas e pautas humanistas e ambientalistas bem definidas, e no seu desfecho, nos mostra através da ficção, que a humanidade caminha a passos largos para o absoluto caos.
 
No Livro de Gênesis, Capítulo 1, nos é narrado o princípio da Criação. Deus cria o Universo e nesse universo, Deus cria a terra, a luz, as estrelas, as águas, as plantas, o tempo, o clima, a vegetação, e após tudo ser isso ser criado, Deus conclui que é bom. Logo em seguida, Deus cria aquele que será o administrador de todas essas obras, assim se faz o homem.
26: Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”.
27: Criou Deus o homem à sua imagem,
à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
28: Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
29: Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. 30 E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão”. E assim foi.
Foi então dado ao ser humano a tutela sobre todas as coisas da terra e lá, o homem com sua mulher viveriam sob os cuidados de Deus, povoando a terra. Mas sabemos que não foi exatamente isso que aconteceu. Adão e Eva, como são conhecidos, sob influência do inimigo, quiseram ser como Deus, e o desobedeceram, comendo o fruto proibido que dava o pleno conhecimento do bem e do mal. E assim veio a queda. O ser humano foi expulso do paraíso e passaria a ter que trabalhar por seu próprio sustento, tendo de administrar a terra e a si mesmo apenas com o conhecimento próprio herdado do pecado original, sem a sabedoria de Deus e seu auxílio. Parece que o ser humano não tem se dado muito bem até hoje nesta empreitada. Tudo o que vemos hoje é uma total deterioração do meio ambiente, poluição, extinção de espécies ao longo da história, caça ilegal, desmatamento, queimadas, uso de elementos da natureza para fabricação de bombas, armas nucleares e produtos tóxicos, surgimento de doenças e pragas. A humanidade tem ido de mal a pior. 
 
 
Independente de sua conduta religiosa ou se você acredita ou não na Bíblia, o princípio da criação e da queda do homem se encaixa muito bem com a atualidade em que vivemos, pelo menos para explicar que o ser humano nunca fez algo genuinamente bom para o planeta ou para a própria humanidade. Todas as suas ideias ou descobertas, em grande parte, resultaram em injustiça, fome, morte, desastre, guerra, nações destruídas. E o curioso é que todas as investidas do homem ao longo da história foram realizadas com o propósito de tornar o mundo melhor, mais evoluído, mais justo e mais equilibrado. E que ledo engano que insistimos em continuar acreditando. E que ledo engano que insistimos continuar acreditando. Felizmente, notáveis gênios da literatura e da sétima arte caíram em si de que toda ação humana traz consequências, e que se tais ações forem tomadas por mero capricho, podem causar um estrago irreparável. Michael Crichton nos trouxe essa mensagem ao escrever ‘Jurassic Park’ e Steven Spielberg reproduziu a mesma ao adaptar a obra para o cinema. O filme, logicamente, foi revolucionário, não só pela genialidade da execução e dos efeitos especiais que traziam os enormes dinossauros às telonas, mas principalmente pela proposta de debate acerca de até onde o homem, com toda a sua inteligência, pode interferir no curso natural da vida em nome da ciência ou do progresso.
O clássico ‘Jurassic Park’ (1993) apresenta John Hammond, um renomado cientista que recria os dinossauros a partir do DNA de insetos pré-históricos preservados em âmbar de milhões de anos atrás que possuíam o sangue das espécies. Completando o código genético dos insetos com o código genético de animais descendentes dos gigantes pré-históricos, criam-se embriões, realizando por fim um processo de clonagem dos dinossauros, que nascem em laboratório dentro de ovos artificiais.
Estes animais são assim instalados em uma enorme ilha do caribe, a ilha nublar, sendo batizada de “Parque dos Dinossauros”. A ideia é fazer do lugar um parque temático para turismo, onde os visitantes podem se entreter com os dinossauros presentes em cada parte da ilha.
O projeto é apresentado presencialmente a um casal de paleontologia, o paleontólogo Alan Grant e a paleobotânica Ellie Sattler junto ao matemático Ian Malcolm. Nenhum dos três aprova a empreitada, embora tenham ficado extremamente surpresos e maravilhados com o que viam. Apesar da beleza do projeto, os estudiosos já eram capazes de enxergar o perigo que isso significava e as graves consequências que se desencadeariam no futuro. Duas espécies dominantes, separadas por bilhões de anos, dividindo a terra, definitivamente não era uma boa ideia. E esta aventura de Hammond de brincar de Deus poderia muito bem abalar toda a ordem natural da vida presente na terra.
Ian Malcolm foi o mais cético e o que melhor argumentou sobre o alto risco de se alterar a natureza desta forma, indagando que a vida, uma vez concebida, sempre dará um jeito de evoluir, de sobreviver e de crescer e que isso pode significar um alto risco para a humanidade. 
Malcolm indaga: “John, o tipo de controle que você quer é impossível. Uma coisa que a história nos ensinou é que a vida não pode ser contida. Ela se libera, se expande para novos territórios e atravessa barreiras, dolorosamente, talvez perigosamente. A vida sempre encontra um meio”.
 
Em uma nova reunião, Ian Malcolm tenta alertar Hammond acerca do risco que essa experiência trazia: “A falta de humildade perante a natureza que está sendo mostrada aqui, me assusta. John, você não vê o perigo do que está fazendo aqui? O poder genético é a mais incrível força que o planeta jamais viu e você a maneja como um garoto que encontrou a arma do pai.” Assista!
Mas Hammond reluta em fazer uma autocrítica e persevera em seu investimento, mandando os próprios netos para o primeiro passeio inaugural do parque. O desfecho de tudo isso, todos conhecem. Um desastre. 
 
As mortes do primeiro filme seriam apenas os números iniciais que continuariam crescendo nas duas outras sequências de ‘Jurassic Park’ e que explodiria no agora atual ‘Jurassic World’. Não dá pra contar o número de mortes do primeiro filme da franquia sucessora de Spielberg, mas dá pra ter uma noção bem clara do tamanho da tragédia presenciada no novo parque, causada por uma espécie geneticamente modificada e extremamente mais feroz que o Tiranossauro Rex. 
 
Se em ‘Jurassic Park’, a ciência já tinha ido longe demais ao recriar dinossauros e transformá-los em atração turística, é em ‘Jurassic World’ que o impensável acontece e que todos os limites da ganância, da pretensão e da arrogância humana sobre a natureza atingem o seu máximo. O absurdo, como podemos comprovar em paralelo com a realidade, quando imposto por muito tempo, torna-se aceito pela população, e é isso que vemos em “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” de 2015. O parque temático, muito mais moderno e tecnológico, com brinquedos, lanchonetes, shoppings com produtos de dinossauros e atrações presenciais das feras mais assustadoras, recebe milhares de visitantes todos os anos, movimentando milhões. 
 
 
Para crescer e adquirir mais sucesso, os executivos traçam um plano de meta que visa surpreender mais os visitantes a cada ano. E para isso, eles não criam novas trilhas para explorar ou novas atrações, nem novos brinquedos. Eles buscam criar novos monstros geneticamente modificados a partir do cruzamento de espécies, dando origem a híbridos cada vez maiores e adentados. Como ninguém pode ter pensado que isso terminaria em desastre? Ninguém cego pelo dinheiro ou por suas carreiras parou para pensar na gravidade de algo assim. E assim, surge o Indominus Rex. Uma fera criada para atrair novamente visitantes que estavam cansados de ver as mesmas espécies. O problema é que o novo monstro, como constatou Owen Grady, não era sequer um dinossauro, mas um ser inteligente com características que lhe davam inúmeras vantagens de domínio sobre os outros dinossauros e suas presas. O protótipo escapa da jaula em que era mantido e em apenas algumas horas, espalha o terror no parque, provocando a morte de milhares de pessoas, entrando para a história como o maior desastre já registrado.
 
A tentativa de deter o monstro é feita através de um plano tão absurdo quanto: o de usar os raptores treinados por Owen para distrair o monstro, para então o eliminar com artilharia. Mas o monstro só é mesmo derrotado por semelhantes da sua espécie: Blue, a única velociraptor fêmea que sobreviveu no embate contra o Indominus, o Tiranossauro Rex, liberto por Claire, administradora do parque, que se une a Owen para deter o monstro, e pelo Mosassauro, um espécime, também geneticamente modificado, que por seu enorme tamanho, abocanha o gigante Indominus, dando fim temporário ao pesadelo.
 
Diante desta enorme tragédia, o ser humano cairia em si, botando um ponto final nesta aventura de dinossauros, deixando definitivamente de interferir no ciclo da natureza, permitindo a esta agir por conta própria, decidindo sabiamente o que fazer. Só que não.
No segundo Jurassic World “Reino Ameaçado” (2018), nossos “heróis”, decidem tentar acertar mais uma vez. Agora vai né? A senhorita Claire, de gerente capitalista, transforma-se em ativista pró-vida dos animais, em especial, dos dinossauros, que passados três anos após a tragédia na ilha nublar, encontram-se “abandonados” na enorme ilha, vivendo como viviam a 85 bilhões de anos. Mas descobre-se que a natureza decide não os preservar, e o vulcão da ilha é ativado para novamente extingui-los. Contudo, o ser humano, sendo sempre muito mais sabido que a mãe natureza, decide lançar um projeto de preservação dos dinossauros, que tem como objetivo, transportá-los para um local isolado da terra, onde poderiam viver em paz e em harmonia. A agora defensora dos seres pré-históricos, Claire, acaba cometendo o mesmo erro de John Hammond em querer alterar o ciclo natural da própria natureza. É evidente que trazer dinossauros de volta à vida é um fenômeno fascinante e espetacular, mas nunca foi viável. Owen, treinador da Blue, após o desastre, enxerga isso e tenta se desprender do passado, tentando também esquecer sua velociraptor Blue, mas a ex-namorada Claire, impulsionada por consertar seus erros, o convence a ajuda-la. Claire, fissurada em salvar os animais de uma nova extinção, aceita a proposta de Elli Mils de ajudá-lo a resgatar os dinossauros da ilha nublar, ameaçada de ser destruída por um vulcão em erupção, e levá-los a um novo local onde poderiam viver livremente, mas Mils na verdade tinha outros planos. Sua intenção era transformar os dinossauros em mercadoria de leilão e tornar os mais ferozes em armas de guerra e este plano era realizado em conjunto com Gunnar Eversol, um bilionário que pretendia leiloá-los entre os magnatas dos mais diversos países, faturando bilhões. 
 
 
Se o primeiro ‘Jurassic World’ explora a insensatez e a arrogância, o segundo explora a ganância e a sede por poder. E são estes desvios tão próprios dos seres humanos que condenam definitivamente a humanidade e dinossauros a ter de conviver no mesmo espaço, dividindo todo o planeta. O desfecho de “Reino Ameaçado” apresenta o absoluto caos de duas espécies dominantes, separadas por bilhões de anos, passando a dividir a terra.
 
 
O desastre é explicitado ao espectador através do discurso de Ian Malcolm como uma forma de lição acerca das atitudes do homem tomadas em todo o decorrer da franquia ‘Jurassic’, desde o primeiro filme, de 1993, até o mais atual, de 2018.    
E de forma indireta, a série de filmes desperta no público o questionamento sobre as ações humanas tomadas na natureza, na economia e na política. E temos ido muito mal.
Desde que o homem habita o planeta, a natureza tem se degradado progressivamente. O mundo já viveu inúmeras guerras, sendo duas delas nucleares. Criamos com as substâncias naturais que nos foram dadas, a bomba atômica e a bomba de nêutron. Sobre os mares, caça ilegal de baleias e outras espécies marinhas; naufrágios, vazamento de petróleo sobre o oceano. Na terra, florestas queimadas, árvores cortadas, espécies de animais extintas, alimentos geneticamente modificados que minam nossa saúde, gases poluentes emitidos, geleiras derretendo. Nas cidades, lixos no chão, descaso com o bem público, inundações, enchentes, deslizamentos. E tudo isso provocado por ações humanas que foram tomadas equivocadamente, impulsionadas por ganância, insensatez, exploração e poder, os mesmos atributos dos personagens que nortearam a série de filmes de Jurassic Park.
Tudo isso explicita o fato de que a nossa sociedade está se desmoralizando mais e mais e em uma velocidade inconcebível. A moralidade, a ética, o bem comum, estão perdendo espaço para o egoísmo, a soberba e o antropocentrismo, que coloca o homem como o centro do universo, tomando o lugar do Divino e descartando todo valor metafísico ou filosófico que permitiu que a humanidade evoluísse e prevalecesse até hoje.   
 
Em nossa realidade, podemos não presenciar feras pré-históricas em nosso meio, mas presenciaremos ainda mais guerras por recursos naturais que se tornarão cada vez mais escassos, um aumento significativo da pobreza e da miséria, cada vez menos regiões preservadas e cada vez menos terras produtivas. E mais corrupção, mais golpes de estado, mais assassinatos e mais atrocidades. Estamos literalmente causando a nossa própria extinção e se nada for reparado logo, será tarde.
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, ao afirmar que Deus está morto em uma de suas mais célebres obras “Assim falou Zaratustra” de 1883, expõe não o seu ateísmo declarado, mas a leitura social e moral que faz do seu tempo e dos tempos futuros que viriam. Nietzsche enxerga que a influência da religião e da igreja, em especial do cristianismo, estão cada vez menores na sociedade e que todos os conceitos, valores, ideais e moral acerca de Deus estão enfraquecendo pouco a pouco na história da humanidade. O filósofo, ao afirmar que Deus está morto, se refere não apenas ao Deus Criador, mas também aos valores metafísicos, ao conceito de bem e mal, a crença na existência do Belo, Divino e Verdadeiro. E tudo isso significava a decadência moral do homem, que agora não mais temendo Deus, seria o dono de seu próprio destino e faria valer suas próprias vontades, de acordo com os seus próprios preceitos; preceitos estes que poderiam mudar facilmente para o que lhe fosse mais conveniente no momento. Assim, o niilismo extremo em que mergulha a humanidade faz com que as ações mais absurdas possam ser concebidas pela mente humana e até postas em prática.   
 
Se analisarmos a história da humanidade sob a ótica da Bíblia, nosso primeiro erro, que deu sequencia aos outros inúmeros erros, foi cometido lá no princípio da criação, ao renunciarmos Deus, escolhendo viver de acordo com nosso próprio entendimento e nossas convicções e se analisarmos friamente este percurso, foi tudo um desastre. Temos escolhido a guerra em vez da paz, temos escolhido mal nossos representantes e temos insistido que somos bons e que só somos maus por não criarmos leis que sejam realmente eficientes. Para nós, é difícil entender que o mal está em cada um de nós. Esta visão torna-se ainda mais viável ao nos depararmos com o fato de que nossa sociedade, em especial o ocidente, está se deteriorando moralmente mais e mais e que valores antes considerados vitais, como sensatez, gentileza e honestidade estão se tornando cada vez mais obsoletos. Isso é exposto inclusive pela Bíblia em 2 Timóteo 3: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus.”
A observação feita a respeito da atualidade se reflete na sétima arte como forma de entretenimento, trazendo também a reflexão acerca dos caminhos que a humanidade tem tomado com relação a fatores de extrema importância em nossas vidas. Assim como trazer dinossauros de volta a vida, nunca foi viável desde o começo da franquia, embora seja esta a premissa que norteou toda a saga “Jurassic”, também nunca foi viável explorar a natureza em nome do capital para benefício próprio, pois a natureza sempre cobra em juros o que destruímos dela. O cuidado com o planeta não é uma pauta de uma determinada elite política, de cinéfilos, de ateus ou de cristãos. Esta é uma pauta de todos nós.
 

Redação: Ramon Ribeiro

Bem Estar Ouro Fino

 
 

O terceiro filme de Jurassic World "Dominion" está previsto para 2022

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