Entre a morte e o desemprego: a culpa é nossa

Entre a morte e o desemprego: a culpa é nossa
Nós estávamos em um período de controle sob a pandemia, e tínhamos a total condição de driblar esta crise poupando vidas e empregos, mas desperdiçamos assim que abandonamos o bom-senso e abraçamos o negacionismo e o desdém para com o avanço do contágio. Agora, o caos instaurado nos obriga a termos de escolher entre o urgente e o necessário; entre o que é inevitável e o que é essencial. E isso marca o começo de uma crise sanitária e humanitária sem precedentes, podendo ser a maior da história. 
 
A quarentena (não lockdown), havia sido decretada por estados e municípios em março de 2020 assim que a pandemia marcou os primeiros casos de contágio em solo brasileiro. O objetivo da medida era bem claro: evitar o avanço de infecções com o propósito de manter o sistema de saúde em plena normalidade, dando aos profissionais de saúde, cientistas e médicos tempo o suficiente para prepararem o terreno adequado de combate ao vírus, evitando futuros colapsos em leitos hospitalares. O foco do Brasil, assim como dos demais países, era não se tornar a Itália de 2020, que na época se tornara o epicentro mundial da pandemia, com centenas de mortes diárias e mergulhada em um absoluto caos que foi exposto ao mundo inteiro.
Com o primeiro caso registrado em 26 de fevereiro em São Paulo, as medidas restritivas foram tomadas rapidamente para frear o avanço do patógeno Sars-CoV-2 (coronavírus), que espalha uma doença respiratória aguda com alto nível de letalidade em grupos de risco e sintomas comuns de febre, tosse seca e cansaço. Assim que a OMS declara ao mundo o alto risco de infecções e letalidades, todos os países do mundo se mobilizam para deter o avanço deste inimigo invisível, decretando normas restritivas de distanciamento social, uso de máscaras e por fim, a quarentena, que apesar de semelhante, não tem a mesma característica do lockdown. A quarentena é uma medida que restringe o acesso ou circulação de pessoas em vias públicas que foram ou podem ter sido expostas ao vírus. Como o primeiro caso já havia sido registrado semanas antes, havia-se a necessidade de isolamento geral com o propósito de não permitir que o vírus continuasse circulando. Assim, aulas presenciais foram suspensas, assim como eventos e o próprio comércio foi fechado por tempo determinado, afim de buscar o controle total da pandemia, que se tornaria possível em algumas semanas, permitindo a volta da normalidade e o pleno funcionamento das atividades econômicas o mais cedo possível.
De fato, tínhamos essa chance, mas desperdiçamos, incentivados pelo maior chefe da nação.
 

Quando toda a população parecia estar de acordo com o pacto de distanciamento e isolamento social, que se seguido à risca, nos traria estabilidade diante da crise em todos os setores mais cedo, surgia em menos de 15 dias após o início das políticas de prevenção, no dia 24 de março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro em cadeia nacional de rádio e televisão minimizando a gravidade da pandemia, comparando os sintomas da Covid-19 a uma gripezinha e convocando a população à volta da normalidade. 
O pronunciamento causou enorme impacto e logo graves consequências. Contrariando o que especialistas e autoridades sanitárias do Brasil e do mundo vinham pregando como forma de evitar que o novo coronavírus se espalhasse; grande parte da população, em especial, seu grande número de apoiadores, acatou as recomendações do presidente, e a partir daí, o país passou a trilhar em alta velocidade o caminho rumo ao contágio sem controle. Governadores alertaram sob os grandes riscos de se desrespeitar as medidas de distanciamento social, porém, o alerta era ofuscado pela popularidade do presidente, que além de pregar contra as medidas restritivas, incentivava aglomerações e ignorava o uso de máscara, como faz até hoje. No final do mesmo mês, o número de mortes chegara a 113. Onze dias após a primeira morte, registrada no dia 17.
Já em abril, o número de casos saltara para 61.888 e 4.205 mortes. A progressão geométrica das infecções anunciava caos iminente se a população não se mobilizasse, mas não foi isso que aconteceu. Nos meses que se seguiram no segundo semestre de 2020, cidades registraram enorme circulação e aglomerações em espaços públicos e estabelecimentos, e o desrespeito às restrições se manifestavam de forma cada vez mais intensa, com número crescente de pessoas circulando sem máscaras e não adotando nenhuma medida de higienização. O clima de indiferença fez do país um espaço adaptativo para o vírus, que logo gerou uma nova cepa; uma variante ainda mais contagiosa e mais letal que acabou colocando algumas regiões do país em estado de calamidade pública, colapsando todo o seu sistema de saúde e atingindo o limite de seus leitos. O caos descontrolado causado pela nova cepa e pelo avanço desenfreado de contágio acabou se espalhando às demais regiões do país, alavancado pela falta de cuidados preventivos. 
 
Hoje, 1 ano após a pandemia, o colapso atinge todo o país, gerando absoluto caos, desespero e números recorde de mortes diárias. Tudo isso foi gerado pela desobediência civil da população, que em grande parte seguiu a vida normalmente como se não houvesse uma crise sanitária vigente. Festas clandestinas, eleições, e descuido no dia-a-dia. Tudo isso permitiu a instauração do quadro caótico em que hoje vivemos.
Além da onda de indiferença de grande parte da população, o atraso na vacinação também contribuiu para o agravamento da pandemia no Brasil. O governo federal demorou a adquirir os imunizantes, rejeitando inclusive ofertas de fabricantes como a Pfizer em agosto e ainda promoveu medicamentos sem eficácia comprovada para tratamento precoce, gastando quase 90 milhões em sua compra.

Governadores e prefeitos por sua vez, não souberam administrar de forma efetiva a pandemia em seus estados e municípios, cometendo negligências de impacto imediato, como a falta de uma comunicação mais direta com a população e má administração dos recursos repassados pela União às suas respectivas instâncias. Como se não bastasse, ainda presenciamos casos de corrupção em superfaturamentos e licitações.
Apesar de tudo, era nossa responsabilidade contribuirmos de forma efetiva para com as medidas preventivas que evitariam o agravamento da crise. Hoje, estamos perto de pagar caro o preço pela nossa irresponsabilidade e indiferença. E este preço provavelmente virá com o decreto de um lockdown a nível nacional. O lockdown é a medida restritiva mais radical e autoritária contra o avanço de uma pandemia, pois se trata da paralisação total dos fluxos e deslocamentos. A circulação de carros e pessoas também é reduzida, sendo autorizada apenas a saída de casa para a compra de alimentos, medicamentos e transporte de indivíduos para hospitais. Nesta etapa, o governo pode até usar as forças armadas e aplicar multas e detenções para quem desrespeitar a medida.
Adotado por diversos países como uma ação de último recurso para reverter quadros de extrema calamidade pública, o lockdown é capaz de frear o avanço de mortes e de aliviar a lotação de leitos, já que reduz consideravelmente através das restrições de circulação de cidadãos e o número de contaminações. Veja um estudo que comprova a eficácia aqui
E no momento, é o que resta, caso não queiramos agravar ainda mais o quadro da pandemia e o número de mortes, que avança simultaneamente, registrando recordes diários.
 
É fato que um país deficitário como o Brasil não está pronto para uma política radical como essa, mas o lockdown é o preço que todos nós pagamos pela nossa indiferença. Todos nós. Comerciantes, médicos, lojistas, prestadores de serviço, professores, agentes públicos, adultos, crianças, idosos. Todos nós. E mesmo depois da pandemia, a vida não será fácil.
As sequelas serão permanentes, diante de tantas vidas perdidas e de tantas famílias destruídas, não só pelo coronavírus, mas pela péssima escolha de apostarmos uma queda de braço contra um inimigo invisível que não escolhe classe, nem cor, nem escolaridade, nem posicionamento político, nem pauta de esquerda ou direita, mas que simplesmente mata.
 

De Ramon Ribeiro 

Editorial Bem Estar Ouro Fino 

Referências:

Análise / Covid-19

O que era evitável agora é inevitável! Vai ter Lockdown!

  Diante do quadro de absoluto caos causado pelo avanço do contágio, aumento de mortes e colapso em leitos de UTI por todo o país, o lockdown, medida mais radical de combate à pandemia, deixará de ser opção.   O Brasil atinge o pico da pandemia, registrando seu pior dia com 1.641...

Artigo / Opinião

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