Crítica | ‘O Profissional’ é mais do que um filme de ação

Crítica | ‘O Profissional’ é mais do que um filme de ação
Grande marco do cinema dos anos 90, “Léon”, dirigido por Luc Besson e estrelado por Jean Reno e Natalie Portman, impacta pelo seu cenário caótico, cativa pelo seu enredo e atrai polêmicas ao explorar relacionamento excêntrico entre uma garota de 12 anos e um assassino profissional misterioso. O resultado é uma obra que sensibiliza sem abandonar a adrenalina de seu gênero de ação. 
O filme data de 1994, período em que os filmes de ação de Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone estavam em alta, com suas cenas tensas de adrenalina, lutas, tiros e perseguições arriscadas que enchiam as telonas de explosões e efeitos especiais. Com a audiência e o retorno garantidos para este gênero cinematográfico, era de se esperar que “O Profissional” seguisse a mesma linha, como mais uma produção visando o entretenimento envolvendo justiceiros e criminosos; mas para a surpresa de qualquer um que assista, o filme se destaca não apenas pela excelência do roteiro e direção, mas principalmente pela sua ousadia em explorar o lado mais humano de seus personagens, surpreendendo além das expectativas.
Sim, as cenas de ação estão lá e os vilões estão bem visíveis e presentes, mas não são as cenas de ação e o confronto contra os vilões que cativam o público e sim a relação casual e repentina que se inicia entre duas pessoas extremamente diferentes, com histórias diferentes, contudo, com olhares e perspectivas similares do mundo que os rodeia.
Léon é um assassino profissional que ganha a vida matando pessoas. Ele tem um caráter reservado e um comportamento introvertido, não se abrindo e nem conversando com as pessoas, nem mesmo com os vizinhos de seu apartamento. Mathilda é uma garota de 12 anos pertencente a uma família disfuncional e desequilibrada. Ela é maltratada pela irmã mais velha e desprezada e abusada pelos pais, o que a faz encontrar refúgio e conforto com seu irmão caçula de 4 anos, que ainda não entende o que se passa em seu ambiente familiar. Pra completar, seu pai é narcotraficante e possui dívidas com policiais também traficantes. Em uma tarde, quando Mathilda vai ao mercado comprar alimentos, os policiais narcotraficantes invadem o apartamento de sua família, promovendo uma carnificina, assassinando a todos. A garota, quando chega no local, avista os policiais, vê rastros de sangue pela porta e conclui o que de fato aconteceu, batendo na porta de Léon para que ele a abra, acolhendo a criança em estado de desespero. Léon hesita em abrir, mas logo o faz.
 
A partir daí, começa a surgir entre os dois uma relação de afeto e de segurança um no outro. É na presença de Mathilda que o assassino durão e profissional começa a expor seu lado mais humano e suas fragilidades, nutrindo um carinho por Mathilda que ele conclui nunca ter sentido ou que esqueceu que já sentiu. E é na presença de Léon que Mathilda expõe com intensidade a sua carência, nutrindo por ele uma admiração que nunca teve por seus pais e desejando nele o amor que nunca recebeu da família. Como ela viveu grande parte de sua breve vida em um ambiente imoral e subversivo, o qual lhe deu uma visão deturpada sobre amor e afeto, a jovem garota acaba não sabendo identificar seus sentimentos, levando-a até a acreditar que está apaixonada, quando na verdade vê em Léon o pai que nunca teve.
Léon, por sua vez, vê em Mathilda a criança que um dia ele já foi e pela primeira vez, o assassino de carreira se via disposto a dar a própria vida por alguém. Alguém que ele a considera, não explicitamente, como uma potencial filha.
 
Como um pai, tudo o que Léon tem a ensinar para Mathilda é como manusear uma arma, como atirar e como matar. Um ofício que ele aceitou ensinar em troca de ela ensiná-lo a ler e a escrever.
O drama do filme abre espaço para as cenas de tensão em que este sentimento de amor de Léon por Mathilda fica explícito, como na cena em que Mathilda se vê em uma enrascada na central de polícia, onde os policiais se encontram. Léon faz de tudo para salvá-la, arriscando a própria vida e abrigando-a em seu apartamento, protegendo-a dos criminosos.
É fato que o filme em si levantou polêmicas. Cenas como a de Mathilda (Natalie Portman) imitando Marilyn Monroe, dizendo ao recepcionista do hotel que Léon é seu amante e outra cena em que a câmera foca em seu corpo, abriram brechas para discussões sobre qual era de fato o objetivo do filme com relação à sexualização precoce de crianças e a pedofilia, contudo, basta uma observação mais profunda sobre o enredo, as características psicológicas dos personagens e o cenário em que estão inseridos para concluir que o filme aborda de forma realista um mundo caótico e que ainda assim, neste mundo indiferente, dois indivíduos se sensibilizaram um pelo outro, com suas falhas, seus pecados e suas frustrações, passando por transformações profundas em sua personalidade, caráter e humanidade.
 
E o resultado foi o melhor possível. Um filme de ação com gênero drama que desperta no espectador sua simpatia pelos protagonistas, fazendo-o enxergar a possibilidade de o amor se manifestar nas mais diversas formas, nos cenários mais terríveis e nas histórias com o fim mais tráfico possível. Quem assistiu, sabe que o final comprova este amor.    
 

De Ramon Ribeiro 

 Redação Bem Estar Ouro Fino  

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