A Revolução dos Bichos - George Orwell (RESENHA)

A Revolução dos Bichos - George Orwell (RESENHA)
Resenha de Ramon Ribeiro
 
É impressionante como a obra “Revolução dos Bichos” título original “Animal Farm” de George Orwell denuncia escancaradamente através dos animais a inclinação do ser humano ao totalitarismo por parte de quem governa e à enorme tendência humana ao estado de apatia e ignorância por parte de quem é paternalizado por um governo, seja de qual ideologia for.
As analogias da obra são bem claras. Napoleão com sua postura de líder messiânico que libertou os animais da granja da exploração cruel de Sr. Jones é rapidamente associada a Joseph Stalin e sua revolução russa, ao mesmo tempo em que Bola de Neve é associado ao seu rival político, Trotstki. Este último, usado pelo líder Napoleão para atiçar o discurso do “nós contra eles” manipulando os bichos desprovidos de senso crítico, raciocínio e discernimento a pensarem e agirem de forma que lhe favoreça no fortalecimento de seu regime “pós-revolução” e é este cenário que torna a história interessante.
Sob a premissa utópica proposta por Marx e que curiosamente o próprio autor é adepto, Orwell sinaliza com um alerta a respeito de qual forma o povo passaria a ser governado após uma revolução ou rebelião que obteve sucesso em derrubar um sistema considerado opressor, explorador e totalitário.
Ao expulsar Jones da Granja do Solar, o nome do território passa a ser Granja dos Bichos. Uma excelente analogia ao que chamamos hoje de República. Governo dos bichos associado a governo do povo. Mas assim como todo governo, popular ou não, sempre existirão os governantes e os governados e sistemas como esse, se não houver plena participação do povo nas decisões que dizem respeito à sua cidadania e liberdade, acabam por si só, adquirindo traços ditatoriais, mesmo que o líder seja símbolo dos anseios populares e sinônimo da suposta liberdade antes almejada.
É possível notar isso através dos sete mandamentos do animalismo, instituídos após a revolução. Leis essas que colocava todos os animais em patamar de igualdade.
Mas era só questão de tempo para que o poder caísse no gosto de Napoleão a ponto deste crer que sua representatividade sob todos os bichos da granja poderia lhe dar direito a privilégios que os representados não poderiam nem sonhar em desfrutar. E o que começara apenas com o consumo de leite e maçãs, com o tempo, transforma-se em um ditador ainda mais perverso que Jones, apesar de seu discurso sempre conseguir convencer os animais de que antes à revolução, tudo era mais difícil, a ponto de com o tempo tornar impossível qualquer lembrança ou comparação referente a como as coisas eram quando humanos governavam.
A aposta no esquecimento e a ignorância imutável entre os bichos da granja permitiu a Napoleão alterar as leis do animalismo a seu próprio benefício e isso foi praticamente o passo final para que o porco assim pudesse andar sobre duas patas e comercializar com humanos, desfrutando de todas as benesses da Casa Grande sob a imagem de líder das massas.
Chama a atenção também o fato de Napoleão levar seu nome e crédito em cima de todos os trabalhos e obras feitas com o trabalho duro dos animais, como a construção do Moinho de Vento como algo que só seria possível através de sua liderança e imagem.
E é bem curiosa a passagem em que os cachorros recém nascidos de Branca fossem levados pelos porcos e mantidos durante anos em confinamento para tornarem-se através de um bem feito processo de doutrinação a força policial de Napoleão, que garantiria a sua estadia como líder ditatorial. Tanto que animais que se rebelaram contra o líder foram executados publicamente como forma de punição por se contrapor ao animalismo.
E por fim, vemos também como destaque uma escolinha feita somente para os porcos, excluindo a massa de bichos do processo educativo que os forneceria conhecimento e discernimento. O suficiente para uma interferência que poderia resultar no desgaste de qualquer regime totalitário.
Casos como esse mencionados são muito comuns em países de terceiro mundo, onde a educação é precária, mas casos extremos como força policial a proteger o líder, punição de morte a quem se contrariar ao governo e educação apenas para os amigos do rei é escancaradamente comum em regimes ditatoriais que se instalaram sob a premissa do proletariado.
Embora George Orwell fosse adepto da ideologia socialista, o autor nos alertou não sobre o perigo da revolução e sim o que haveria de vir depois dela. Afinal, o comunismo marxista pode ser lindo na teoria, mas na prática, dependerá muito de quem estará à frente dele. 
George Orwell claramente sabia muito bem disso. Tanto que não moderou a tornar impossível e distinção de traços entre porcos e homens.
E com o tempo, já não se sabia quem era homem e quem era porco.
 
Redação Bem Estar Ouro Fino

 

 

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