A distopia em “Watchmen – O Filme”

A distopia em “Watchmen – O Filme”
 
Obra de Zack Snyder é uma adaptação de um universo paralelo da DC que reflete a distopia e o pior da humanidade naqueles que são geralmente fontes de nossa admiração: os heróis.
 
O que faz do filme de gênero Fantasia, Espionagem e Ação de Zack Snyder ser tão genial e original é com certeza seu cenário sombrio, alinhado à distopia de uma sociedade perversa, no auge da imoralidade e da corrupção. Una-se isso ao período em que os Estados Unidos encontra-se em plena guerra fria, no caminho iminente de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética e heróis, ou vigilantes, tendo de viver no anonimato e escondidos como criminosos após serem considerados uma ameaça à sociedade pelo governo do presidente Richard Nixon, o 37º presidente da nação, que neste cenário alternativo, teria conduzido o país à vitória na Guerra do Vietnã, permitindo que este estendesse seu mandato por mais duas reeleições.
Neste universo, os heróis (ou vigilantes), por si só, despertam no espectador o questionamento de sua própria conduta e caráter, pois apresentam uma grande complexidade na formação de suas identidades e oscilam constantemente entre a virtude e a imoralidade, entre o louvável e o desprezível e sob esta ótica, não são nem de longe, dignos de admiração, apesar de combaterem o crime segundo aquilo que acham mais conveniente para si mesmos. Em resumo, os heróis presentes no filme são o reflexo explícito de uma sociedade que abandonou a ética e a moral e que vive e realiza seus trabalhos sem dar muita importância ao conceito de certo e errado. Segundo Alan Moore, a intenção foi dar verossimilhança aos personagens do HQ, gerando neles uma referência realista e compatível com nossa realidade, incorporando temas relacionados a filosofia, ética, moral, cultura popular e de massas, história, artes e ciência. O cenário cinematográfico de Zack Snyder foi fiel ao ideal de Moore e o resultado foi o melhor esperado de um filme do gênero de heróis.
A obra busca principalmente questionar o real conceito de “super-herói”, questionando a própria cultura estadunidense que é presa a apenas um paradigma a respeito do tema. Paradigmas estes envoltos na influência de Superman e Capitão América.
 
 
O cenário também apresenta em sua realidade alternativa o triunfo de carros elétricos, tornando o petróleo uma fonte obsoleta e ultrapassada de energia. Alinhado a isso, destaca-se o personagem mais complexo, assustador, poderoso e excêntrico da trama e dos quadrinhos. Doutor Manhattan era um cientista comum que tinha uma vida comum e acaba, após um acidente elétrico de altíssima voltagem, sobrevivendo a adquirindo gigantescos poderes de controle da matéria e da energia, elevando-o ao estado de um homem-deus mais poderoso que qualquer máquina ou arma nuclear. Este “herói” é usado como arma de guerra pelo governo americano, trazendo vitória à América na Guerra do Vietnã e colocando medo no exército soviético. Dentre os vigilantes, Dr. Manhattan é o único a possuir poderes, explodindo cidades, pessoas e tudo ao seu redor como um grande poderio militar americano. Na realidade de Dr. Manhattan, quadrinhos de 1930 como o de Superman foram substituídas por quadrinhos de piratas, isso devido ao surgimento real dos heróis americanos que a partir daí, exterminaram toda a fantasia desta indústria de heróis virtuosos que protegem as pessoas do crime. Mais tarde, em 1977, a Lei Keene foi implantada em resposta à greve da polícia e a revolta da população contra os vigilantes que agiam acima da lei. Assim, o grupo de “aventureiros fantasiados” conhecido como Crimebusters, que se dispunha a combater a criminalidade na cidade de Nova York, teve de se registrar no governo e alguns chegaram a se aposentar, vivendo no anonimato a na marginalidade.

Alguns, por sua vez, revelaram suas identidades secretas e lucraram com sua ascensão na mídia; Já Adrian Veidt, o Comediante e Dr. Manhattan continuaram a trabalhar sob a supervisão e controle do governo. Embora muitos tenham decidido livremente seus caminhos, se adaptando a esta nova vida, o vigilante Rorschach continuou atuando como um herói renegado e fora-da-lei, sendo frequentemente perseguido pela polícia e pelo governo.
 
Quando Edward Blake, o Comediante, é assassinado, Rorschach passa a investigar o crime acreditando cegamente que o homicídio deriva de um ódio antigo de criminosos presos pelos heróis do passado. Ainda assim, o vigilante foragido não deixa de suspeitar de tudo e de todos, entrando em contato inclusive com seus antigos companheiros em busca de pistas. Esta investigação é praticamente o norte da trama, acompanhada pelas inúmeras narrativas que relatam a história individual de cada um dos personagens, todos com suas falhas, culpas, omissões e feitos heroicos... ou não.
Espectral II, por exemplo, possui um dos passados mais complexos de toda a trama, ao lado de Dr. Manhattan, com quem foi casada e que é sua parceira nos trabalhos do governo. Enfim, todos os personagens e heróis são em si dignos de nossa atenção ao questionamento e trazem consigo uma profunda reflexão acerca da nossa realidade dentro da ficção.
 
Pra completar, as cenas de ação são espetaculares e a catarse se faz presente do começo ao fim. 
“Watchmen – O Filme” não é um filme de super herói comum, mas uma peça satírica com roteiro impecável, excelente fotografia, atuações incríveis e uma trilha sonora de dar gosto.
A gente recomenda porque vale a pena!
 
De Ramon Ribeiro / Bem Estar Ouro Fino
 
 

Título Original: Watchmen

Ano de Lançamento: 2009

Direção: Zack Snyder

Estreia: 6 de Março de 2009 ( Brasil )

Duração: 162 minutos

Classificação: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos

Gênero: Ação / Drama / Mistério / Super-Herói

Países de Origem: Estados Unidos da América

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