Democracia em Vertigem é uma Catarse Apelativa

04/02/2020 16:52

Este foi o comentário de Pedro Bial sobre o documentário, o que lhe rendeu múltiplos ataques. 

"É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos, que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e Lula é incrível". - Pedro Bial 

Nunca pensei que concordaria com um ex-apresentador de BBB. 

 

 

Depois que assisti ao documentário de Petra Costa distribuído pela Netflix e indicado ao Oscar 2020 “Democracia em Vertigem”, ficou claro para mim o quanto o marketing político é importante, principalmente quando o objetivo maior é o poder em sua conjuntura, que dá a qualquer indivíduo que o conquista a autonomia para decidir os rumos de uma nação e moldá-la ao seu bel prazer, construindo-a a sua própria imagem.

Os adeptos da visão melancólica presente no lulopetismo e retradada no documentário exigiam análises imparciais dos críticos, mas como isso seria possível se a própria narrativa apresentada era escancaradamente parcial no que diz respeito aos fatos comprovados e vivenciados pelo próprio povo brasileiro?

A narrativa, além de apelar para o culto à personalidade e messianismo político que pinta Lula como o herói das massas e defensor dos oprimidos, (que são por sua vez retratados como incapazes de conquistar qualquer coisa na vida sem um estado paternalista para lhes prover), escancara que o objetivo da obra não é informar, mas sim cativar os corações moles por meio do sentimentalismo, da melancolia, da trilha sonora de tom fúnebre, investindo pesado na catarse para assim transformar os últimos anos da história política brasileira em um romance tão surreal quanto Victor Hugo. É a romantização da classe política no mais alto nível, seguindo à risca os moldes de uma literatura provida de heróis virtuosos, vilões arrogantes e traidores sem honra.

Como se não bastasse, o esforço para trabalhar a imagem da ex-presidente Dilma Rousseff como vítima de um sistema do qual ela mesma fortificou é tão frustrante que nem mesmo os próprios produtores se convencem. Seria um documentário romantizado capaz de apagar todas as mazelas registradas em seu governo, como o investimento de verbas bilionárias para a realização da Copa das Confederações e casos de lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobrás e grandes empreiteiras como Odebrecht e Andrade Gutierrez, que pagaram propinas para receberem vantagens nos pleitos de escolha de quem executaria obras no exterior com verba pública? Fora o registro de desvio de verbas na educação e saúde em um país que sediou a Copa das Copas.
Ao retratar de forma modesta e receosa a imagem de Sérgio Moro como um agente da CIA disposto a desestabilizar o sistema vigente brasileiro com o fim de tornar o país um condado americano, a proposta da obra ficou clara. Não é um documentário educativo, mas político. E provido de um objetivo insano e ambicioso: o de resgatar a narrativa esquerdista, visando a reconquista da hegemonia cultural até pouco tempo dominante.

Ainda assim, o documentário é honesto em seu tom de cinza. A esquerda viu-se arruinada e em estado terminal no momento em que Jair Bolsonaro foi eleito Presidente. O tom ao exibir sua posse é de lágrimas, ao tempo em que a posse de Lula, em 2003, foi de euforia.

E assim podemos definir bem como a esquerda se vê de acordo com a cronologia dos fatos e com o próprio título do filme. “Democracia em Vertigem” busca retratar a queda do regime democrático no Brasil como a queda de seus líderes messiânicos e assimila ambos sem nenhum pudor, associando a queda do PT com o desemprego e com a fome, como se não tivessem parte nisso, abstendo-se da culpa e depositando-a toda em Temer, preso recentemente pela Lava-Jato, operação a qual eles atacam e agora em Bolsonaro, que é taxado extremista por fazer arminha com a mão.

Não nego que o nosso país tem tido longos capítulos de autoritarismo em sua história, mas associar este fator a um governo democraticamente eleito e que respeita o Estado de Direito previsto na Constituição é apostar demais na suposta ignorância e cegueira do povo brasileiro, taxando-o como incapaz de decidir seu destino por si mesmo sem a elite política que hoje está em declínio.

A obra subestima, primeiro a inteligência e depois a memória do brasileiro.

 

Ramon Ribeiro 

Professor e Redator 

 

* a opinião do autor não reflete a opinião conjunta do portal * 

 

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